Sabe aquela história que você nunca se anima de ver porque já te falaram que tem cenas fortes. Pois é, durante muito tempo fui resistente as chamadas para assistir ao filme brasileiro “Carandiru”. No entanto, por um lapso do destino o confronto aconteceu. Não adiantava fugir ou sair.
Era uma tarde comum de agosto, até que o bendito telefone tocou. “Poxa, você não vai assistir a minha apresentação”. Ser amigo tem horas muito complicadas. Imagina, que aquela sua amiga resolve fazer uma apresentação sobre o sistema penitenciário brasileiro. À primeira vista, para quem não é muito chegado no tema como eu, parece uma situação um tanto chata. Isto porque não tinha caído a ficha que teria uma prévia de sessão pipoca e guaraná com o filme “Carandiru”.
Nossa, cheguei lá e descobri que seria uma tarde de choque cultural. Bahrém, Rússia, Portugal também seriam contemplados na discussão sobre sistema prisional. Antes de mais nada, uma leve propaganda. Tudo isto faz parte do programa de troca cultural entre os membros e trainees da AIESEC em Vitória. A discussão seria em inglês. Muito chique. Quer fazer parte deste universo multicultural, faça suas inscrições a partir de 11 de agosto no nosso escritório, na sala 203, Centro de Vivências, campus de Goiabeiras, Ufes.
A tarde começou com o filme “Carandiru”. Sempre gostei de Babenco, tem um jeito doce e malicioso de mostrar a realidade brasileira. O elenco impecável. De Rodrigo Santoro a Caio Blat, fiquei impressionada com a atuação de cada um deles. Uma verdadeira constelação atuando em conjunto e de forma muito harmoniosa.
A história retrata um pouca da rotina do famigerado complexo penitenciário já desativado “Carandiru” pelo viés do trabalho do Dr Drauzio Varella, famoso por consultoria no Fantástico na área de saúde.
A dureza do lugar contrasta com um contexto cheio de contradições. A sensação de um sistema paralelo ao que existe fora das grades é muito grande. Uma verdadeira matrix que interfere em determinados momentos na realidade social, mas que muitas vezes se questiona se sua existência é verdadeira pela baixa proximidade do convívio das pessoas.
Romances, mentes pertubadas, nichos sociais diferenciados. Você tem desde organizações criminosas a pastores de pessoas regeneradas. É uma contradição constante. Os dias de visita são os momentos mais delicados de se ver.
Tantas crianças crescendo nos presídios como se fosse a casa de campo da avó. Brincando entre as grades, com os restos que sobram, entulhos e espaços sujos. Mulheres que vão à prisão pra conhecerem pretendentes.
Após o choque inicial do filme. A realidade de confrontar 4 culturas completamente diferentes: Brasil, Bahrém, Portugal e Rússia.
Os sistemas penitenciários do Brasil e de Portugal têm propostas bem similares. O que difere muito são os números de superpopulação nas prisões. No nosso país, a realidade é um tanto mais agressiva e difícil. No Bahrém, funciona ainda como reino com regras ditas pela Rei. Na Rússia, a pena de morte e prisão perpétua ainda são aplicadas.
O interessante foi perceber como cada um se chocava com a realidade do outro. A troca foi muito boa. Tenho certeza que cada um aprendeu um bocado e até mesmo refletiu sobre as condições de seu país.
Por tudo isto, recomendo “Carandiru” e indico que veja com seus amigos. Compre aquela pipoca, guaraná, petiscos e emende em uma discussão. Quem sabe não sairá boas idéias desta discussão.
Até a próxima,
Ótimo texto Juju! Gosto muito do jeito que escreve.
Bjos e sucesso.
Tb não sou muito chegada em filmes que retratam realidades duras demais sobre o Brasil. Vi Carandiru muuuito tempo depois do lançamento, qdo já estava passando na Globo à noite, e eu, que tinha acabado de chegar da faculdade, fui arrastada pro sofá pelas minhas ‘roommates’… Enfim, filme excelente meeesmo!
bjs, moça
saudades
Muito bom texto, Ju. Viu como não era nenhum bicho de sete abeças? Mirelle deve ter arrasado. Atualiza seu blog, prometo que vou acompanhar mais.
Bjao linda
saudades devc