

Outro dia ouvi uma frase que me chamou a atenção e me revoltou num primeiro momento. Parecia mais a parábola do filho pródigo, da qual sempre achei injusta. “Os mais duros de coração são os que mais precisam ser amados”. E de certa forma, é a verdade. Afinal, quem sabe amar se permite o aconchego, a doçura das palavras , a suavidade das emoções e principalmente, consegue perdoar e lidar com os erros e as decepções.
Um belo exemplo de lealdade e amor é a história do filme “Encantadora de baleias”. Poderia ter passado como mais um filme água com açúcar em que o personagem malvado sufoca e maltrata a protagonista. No entanto, o tal personagem “mau” , Koro, não é uma pessoa malvada e sim, muito rude. É difícil para ele experimentar o amor na sua mais pura intensidade.
Ao contrário disto, Paikea é uma menina completamente apaixonada pelo avô e luta arduamente pelo seu reconhecimento como sucessora na linha de líderes da tribo. Ela não faz isto por orgulho, vaidade, só pela convicção das tradições de suas raízes.
O filme conta a história da tribo neozeolandesa Maori, um linhagem proveniente de um líder “Paikea” que salvou seu povo cavalgando uma baleia. A partir deste momento, os Maori têm uma forte conexão com o mar e as baleias são fonte de inspiração e sabedoria. Assim, os primogênitos de cada família têm por direito a possibilidade de se tornar líderes. Logo, estes são preparados para exercer esta liderança. Contudo, a família de Koro é a próxima linhagem a ter o líder da tribo. Desta forma, o primeiro neto de Koro deveria ser treinado para assumir isto.
No entanto, seu netinho e nora morrem no parto. Apenas a netinha Paikea sobrevive. Esta é a primeira prova de vida da jovem menina, resistir à frustração de seu avô. Após vários anos, os avôs cuidam da menina e seu pai mora na Europa.
Apesar de não se conformar com a idéia da ausência de um líder, Koro assume plenamente a educação de Paikea.
Ele ama a neta, só não aceita o destino. A relação com seu filho primogênito é péssima. Entre idas e vindas, o rapaz decide que a filha vai morar com ele o que entristece muito “Pai”. Ela não agüenta e volta para sua aldeia. Durante o tempo de sua ausência, seu avô resolve retomar a escola de tradições da tribo voltada para o preparo dos lideres primogênito e não a deixa participar.
O que poderia destruir uma relação de amor se torna um confronto entre lideranças. O desafio de ouvir alguém menos experiente e tentar entender a sabedoria que este pode ter.
“Encantadora de baleias” é um filme que fala sobre o amor, o respeito às tradições e principalmente, do desafio de semear sentimentos em uma pessoa rude e dura de coração.
* Foto site: adorocinema
